Como a Plataforma dos Centros Urbanos deu voz a jovens de comunidades marcadas pela guerra do tráfico no Rio de Janeiro

Na última semana, grande parte da população brasileira acompanhou a invasão das forças de segurança do Estado em dois grandes redutos do tráfico de drogas no Rio de Janeiro: Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão. Impulsionados pelas cenas de guerra transmitidas ao vivo, vários setores da sociedade iniciaram um importante debate sobre o futuro destas comunidades controladas há anos pelo crime organizado. Neste contexto de guerra, uma questão é consenso entre os especialistas da área: assumir o controle destes locais é apenas o primeiro passo para resolver os problemas sociais que originaram esta situação.

Sozinhas, as comunidades da Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão abrigam cerca de 400 mil pessoas e abrangem mais de 10 bairros da capital fluminense. A condição, que se repete em várias otras localidades do Rio, chegou nesse ponto devido à falta de serviços básico e omissão histórica das autoridades. Neste sentido, é possível afirmar que somente a inclusão social destes cidadãos pode agir sobre a causa do problema e resolver definitivamente esta situação nos morros cariocas.

Atuando há anos nestas áreas, a Plataforma dos Centros Urbanos da UNICEF, causa apoiada pela ação “Design For Humanity by Billabong”, age para dar oportunidade a jovens destas comunidades, reduzindo as desigualdades entre moradores do morro e do asfalto. A Plataforma incentiva a articulação de jovens e promove a interação destes com as autoridades responsáveis, sempre com base no lema: “Se é feito para nós, tem que ser feito por nós”

A história que começa na favela da Grota

Morador da favela da Grota, uma das áreas mais perigosas do Complexo do Alemão, Wallace Gonçalves, de 18 anos, é um dos jovens que aceitou o desafio de mudar a vida em sua comunidade. Em 2006, quando ainda não tinha a menor idéia de qual seria seu futuro profissional, Wallace começou a freqüentar o Clube de Adolescentes da Comunidade da Grota, projeto gerido pelos próprios adolescentes, que teve início a partir de uma pesquisa do UNICEF.

Em um curto espaço de tempo, participou de cursos sobre saúde e ingressou como dinamizador em um projeto da prefeitura que trabalha com prevenção de doenças entre jovens. Pouco mais tarde, fundou com outros jovens o Educap, uma ONG que agora promove atividades de recreação, reforço escolar, educação física, além de disponibilizar uma biblioteca para jovens moradores da Grota.

Recentemente, Wallace participou do Grande Encontro da Plataforma dos Centros Urbanos e pretende formar um Grupo Articulador Local para fazer chegar políticas públicas na comunidade. Para ele, o mais importante é acabar com “a visão de que todo jovem de comunidade é associado ao tráfico, à marginalidade ou ao subemprego”. Aos 18 anos, Wallace Gonçalves é um verdadeiro exemplo do quanto essa visão é equivocada. “Passei a bater de frente com essas idéias, a lutar pelos direitos das pessoas que vivem nas comunidades e pelos meus próprios direitos. Quero ser um jovem que faz a diferença”, diz, nos enchendo de esperança.

O “Design For Humanity” é uma ação beneficente da Billabong Brasil. Quem realizar doação de R$ 95 – valor mínimo sugerido – terá direito a um convite para participar do evento. Todos os recursos arrecadados serão integralmente doados à Plataforma dos Centros Urbanos, projeto apoiado pelo UNICEF.

2 comentários para Como a Plataforma dos Centros Urbanos deu voz a jovens de comunidades marcadas pela guerra do tráfico no Rio de Janeiro

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